Passividade na vida e na profissão
- Matosalem de Freitas Jr
- 6 de jan. de 2017
- 2 min de leitura

O maior duelo que temos diariamente conosco é nos desvencilhar da ideia que todo esforço trará recompensa.
Não é assim que a vida funciona. Não falo da vida que a sociedade dos homens definiu, falo da vida que a Natureza moldou, que tentamos sair dela ou fazer que a nossa seja independente e apartada dela, com se possível fosse.
Não há descanso como prêmio na Natureza.
Ouvimos desde a mais tenra idade a mensagem que a dedicação e a não transgressão às regras do esforço árduo trará no futuro uma dádiva como reconhecimento.
Sofra agora para merecer a benesse no amanhã.
Será a vida construída dessa maneira, com esse sadismo?
Nossa educação e formação cultivou em nós de maneira profunda esse modelo mental. Pais, avós, tios, professores, religiosos, amigos e a sociedade de forma geral profetiza esse mantra.
Essa forma de encarar a vida nos coloca sempre na perspectiva de nos questionar: “Será que eu já fiz por merecer minha recompensa? Já posso desacelerar? Parar? O prêmio do descanso e da despreocupação já pode ser usufruído?”.
Nas atividades diárias que fazemos, também reproduzimos esse comportamento de maneira menor, micro. Buscamos rapidamente acomodar e dominar as coisas do trabalho para tudo cair na rotina, no automático, que é quase um pré-descanso.
Dizemos que estamos sob estresse quando algo novo chega às nossas mãos, onde temos que aprender, entender, concentrar e nos esforçar. É tenso.
Mas com as habilidades e com a inteligência no menor espaço de tempo já saímos dessa situação e dominamos a novidade, quando já está no procedimento o estresse finalmente acaba, reina o sossego.
Xô desafios, ai que vontade de procrastinar, deixa que depois eu decido, se for para dar problema pode deixar...
Se há essa atitude frente a vida e ao trabalho, como podemos contar com as pessoas para mudar constantemente as coisas? Que criem algo novo, que re-inventem ?
Estamos pedindo para que todos façam continuamente a quebra das suas rotinas e vivam em contínuo estresse?
Sabe quando isso terá adesão? Nunca.
O grande problema de atrasos, re-trabalhos e demoras nas mudanças que a humanidade, a sociedade e as empresas não param de fazer, não está em erros de estratégia, está em erros de execução, pois não queremos mudar as coisas que dizemos que queremos mudar.
Execução = Pessoas.
Temos que aprender (re-aprender) a ser feliz na mudança, no incerto , no não domínio, no durante o fazer das coisas, pois será cada vez mais rápido o sempre fazer em si mesmo.
Essa postura vale para todos nós em todas as áreas da vida e do trabalho. Não espere por consultores ou coaches para mudar essa maneira de ver o mundo.